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Campo de Frade

Publicado: Terça, 18 de Abril de 2017, 12h57
Atualizado: Terça, 18 de Abril de 2017, 14h03

  • Informativo sobre os incidentes ocorridos no campo de Frade - Área 1 e Área 2

    O campo de Frade, operado pela Chevron, está localizado cerca de 108 Km da costa, na bacia de Campos, onde a lâmina d’água fica em torno de 1000 metros. Em termos médios, em 2011 sua produção diária era pouco superior a 70 mil barris de óleo e 800 mil metros cúbicos de gás, oriundos de um conjunto de reservatórios isolados entre si.

    Durante a perfuração de um poço, em novembro de 2011, ocorreu um underground blowout – liberação descontrolada de fluidos do poço para formações rochosas mais superficiais, quando a broca atingiu o reservatório N560. Este evento foi denominado de incidente da Área 1 do Campo de Frade.

    Veja o vídeo com a cronologia das imagens submarinas de um dos pontos de exsudação.

    Como resultado da investigação realizada pela ANP, houve a aplicação de R$35.160.000,00 em multas referentes a infrações contra o Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional - SGSO, definido pela Resolução ANP nº 43/2007. A Chevron não recorreu da multa e pagou todos os autos de infração com desconto de 30% previsto na Lei nº 9.874/99, totalizando R$24.612.000,00.

    Além das multas aplicadas, foi assinado um Termo de Ajustamento de Conduta – TAC, pactuado entre a empresa e o Ministério Público, tendo a ANP e o Ibama como órgãos intervenientes, que definiu um conjunto de dez ações a serem cumpridas pela Chevron. Todas as demandas referentes ao TAC foram implementadas pela operadora, com exceção daquelas que se referem a diligenciamentos que só poderão ser realizados durante a perfuração de novos poços.

    Entretanto, durante a investigação do incidente de underground blowout ocorrido na Área 1, foram identificadas, em março de 2012, novas manchas de óleo no Campo de Frade. Durante os trabalhos de busca pela origem da fonte de vazamento, descobriu-se que havia outra área de exsudação, em uma região onde se verificou também a existência de uma subsidência de 1.110 metros de comprimento, chegando a 80 cm de desnivelamento no leito oceânico. Tal região foi denominada de Área 2 do incidente do Campo de Frade.

    Após o incidente da Área 2, a Chevron encaminhou à ANP a solicitação de interrupção da produção do Campo de Frade, que deferiu o pleito em 16 de março de 2012, até que houvesse um melhor entendimento sobre a correlação entre os incidentes ocorridos no Campo de Frade.

    Inicialmente, acreditava-se que os eventos das Áreas 1 e 2 estivessem correlacionados. Entretanto, após uma série de análises e estudos, verificou-se que se tratava de incidentes completamente independentes em reservatórios isolados.

    Para a investigação do incidente ocorrido na Área 2, inicialmente foi criado um Comitê de Avaliação, constituído pela ANP, Ministério de Minas e Energia, Chevron, Petrobras e Frade do Brasil. Diversos levantamentos de dados, perfuração de poços geotécnicos, análises e estudos foram demandados por este comitê. O último estudo que ainda permanecia pendente foi entregue pela Chevron no início de junho de 2015, a partir do qual foi possível se iniciar a investigação formal por parte da ANP.

    Por serem incidentes ocorridos em datas próximas, verificou-se falhas comuns da gestão da segurança operacional da Chevron que possibilitaram a ocorrência dos incidentes das Áreas 1 e 2. Estas deficiências estavam relacionadas à gestão de mudanças durante as fases de projeto e construção do poço injetor, da ausência de análise de riscos e da reduzida percepção de riscos por parte da operadora.

    Algumas das exigências demandadas pelo TAC referente à Área 1 também são aplicáveis para o incidente da Área 2, tendo em vista a semelhança nas falhas de gestão envolvidas em ambos eventos. Sendo assim, uma vez identificando pela ANP o cumprimento dos requisitos previstos no TAC, a Chevron se encontra apta para seguir com as operações de perfuração, mediante condicionantes apontadas detalhadamente no Relatório de Investigação do Incidente da Área 1 do Campo de Frade, disponibilizado na página da ANP na internet.

    Ainda em relação ao campo de Frade, tem-se que o reservatório onde ocorreu o incidente da Área 2 encontra-se fragilizado. Desta forma, as medidas de segurança a serem tomadas, sobretudo em relação às atividades de injeção, deverão ser redobradas no sentido de garantir que não ocorra reabertura da fratura e, consequentemente, haja nova migração de óleo. Os detalhes da investigação, assim como, as causas raiz, fatores causais e recomendações apontadas pela ANP podem ser verificadas no Relatório de Investigação do Incidente da Área 2, disponibilizado na página da ANP na internet.

    Como consequência natural do processo de investigação e, com a conclusão do relatório do incidente da Área 2 de Frade, foi encaminhado à Chevron o respectivo documento de fiscalização, contendo as infrações relacionadas ao incidente e eventuais exigências de correção que ainda não tenham sido consideradas anteriormente. A empresa terá amplo direito de defesa e do contraditório antes da formulação da decisão de 1ª instância, para a qual, ainda caberá recurso à Diretoria Colegiada da ANP.

    Como a filosofia da injeção de fluidos no Campo de Frade foi considerada o evento iniciador de dois incidentes distintos (Área 1 e Área 2), a mesma deve ser revista. O retorno da injeção no Campo de Frade deverá ser efetuado com extrema cautela, evitando-se a ocorrência de pressões elevadas de injeção e a pressurização dos trechos do reservatório onde ocorreram os incidentes da Área 1 e Área 2.

    Embora a atual regulamentação de segurança operacional seja abrangente o suficiente para ditar diretrizes para operações de injeção dentro das melhores práticas da indústria, a ANP está desenvolvendo uma regulamentação complementar abordando aspectos de gestão da integridade dos poços, a ser publicada em breve. Esta regulamentação lançará critérios específicos e estruturados sobre a gestão das barreiras de segurança de poço, sua verificação e manutenção.

    A produção do Campo de Frade foi retomada parcialmente em abril de 2013, com a anuência da ANP, através da reabertura de quatro poços, entretanto sem a atuação dos poços injetores em quaisquer dos reservatórios.

    Em março de 2014 foi aprovado pela ANP o ramp-up, plano de retomada da produção, que permitiu o retorno à operação de mais sete poços produtores, porém permanecendo não autorizado a atuação de poços injetores nos reservatórios.

    Em decorrência dos incidentes das Áreas 1 e 2, atualmente a produção diária no Campo de Frade é de aproximadamente 20 mil barris de óleo e 250 mil metros cúbicos de gás natural. Estes valores reduzidos de produção permanecem devido à ausência de injeção de água nos reservatórios do campo.

    Por fim, a retomada das atividades de perfuração e de injeção de fluidos no Campo de Frade está condicionada à prévia anuência da ANP.

    Desde março de 2012, todo o óleo exsudado vem sendo coletado por meio de Tanques de Captura e Contenção (CCT), distribuídos ao longo das fissuras onde foram detectados afloramentos. A situação da região é monitorada constantemente por meio de ROV, de forma a se identificar rapidamente qualquer situação atípica, tanto nos tanques quanto nas fissuras ou leito marinho. É importante observar que desde abril de 2012, a exsudação consta em declínio nas Áreas 1 e 2.

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