4.1 - Alagamento da coluna e flutuador
Análise
O colapso mecânico do tanque de drenagem de emergência de popa boreste, seguido imediatamente pelo rompimento do trecho da linha de recalque de água salgada que passava junto a este tanque no quarto nível, ocasionou o início do alagamento da coluna. As causas determinantes desse incidente foram:
- água e óleo provenientes do tanque colapsado invadiram o compartimento do quarto nível;
- bombas de água salgada localizadas em popa boreste e proa boreste, acionadas automaticamente pela despressurização do anel de incêndio, alimentaram continuamente o alagamento através da tubulação rompida; e
- toda a água remanescente na rede de água salgada e no anel de incêndio escoou por gravidade para o compartimento do quarto nível.
A partir do instante em que o nível de água nesse compartimento atingiu a altura dos dampers do sistema de ventilação da coluna, a água migrou para a parte inferior da coluna através da abertura existente devido ao não fechamento automático desses dampers (seus atuadores apresentavam problemas de funcionamento). Os compartimentos imediatamente invadidos foram as salas de bombas, de propulsores e de equipamentos do sistema de injeção de água.
Devido à quantidade de líquido no interior da coluna de popa boreste, a plataforma adernou, adquirindo banda (inclinação transversal) para boreste e trim (inclinação longitudinal) pela popa. Contudo, a plataforma já teria iniciado o adernamento antes do rompimento do tanque de drenagem de emergência de popa boreste devido à transferência de cargas do tanque de popa bombordo e do manifolde de produção para esse tanque.
No dia anterior ao acidente, as elipses de acesso ao tanque de lastro na coluna de popa boreste e à caixa de estabilidade localizada acima do flutuador, junto a essa coluna, haviam sido abertas para possibilitar a inspeção do reparo da trinca verificada nesta caixa. Essa inspeção estava programada para ocorrer no dia seguinte.
É importante registrar que a abertura do tanque de lastro e da caixa de estabilidade mencionados permitiu que o alagamento da parte inferior da coluna progredisse para esses espaços abertos, uma vez que eles tinham intercomunicação com a sala de bombas já inundada. Esse alagamento contribuiu decisivamente para o adernamento acelerado da plataforma.
A figura do Anexo 8 ilustra os compartimentos da coluna e flutuador que foram alagados.
Em seguida à falha da bomba de água salgada da coluna avariada e ao isolamento da rede de água salgada, o alagamento prosseguiu através da caixa de mar conectada à sucção desta bomba. Essa caixa permaneceu aberta após o desligamento da bomba porque sua válvula de admissão foi projetada para ser mantida no estado em que se encontrava quando de uma falha do equipamento (sistema fail set ).
Identificação de não conformidades
Foram constatadas não conformidades relativas a procedimentos de manutenção e operação, conforme relatado a seguir:
- falha no funcionamento dos dampers do sistema de ventilação da coluna, decorrente de defeito em seus atuadores eletro-hidráulicos;
- elipses de acesso ao tanque de lastro de popa boreste e à caixa de estabilidade contígua mantidas abertas por tempo além do necessário à realização de inspeção e reparo, alterando a compartimentagem da plataforma considerada nos estudos de estabilidade intacta e em avaria, contrariando os procedimentos do Manual de Operação – Item Casco e Estrutura – Estanqueidade à água;
Embora não possa ser caracterizada como uma não conformidade, a utilização do sistema fail set para a válvula da caixa de mar impossibilitou qualquer atuação do operador no sentido de modificar seu estado após a falha, uma vez que o sistema não dispunha de alternativas que permitissem contornar a restrição imposta.
Página anterior
| Índice
| Próxima página
|