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Petróleo e Derivados » Desenvolvimento e Produção » Relatório da P-36
Análise do acidente com a plataforma P-36
- Relatório da Comissão de Investigação ANP / DPC -
Julho / 2001


3.4 - Primeira explosão

Análise

O tanque de drenagem de emergência de popa boreste foi pressurizado durante 121 min até atingir uma pressão de cerca de 10 bar, recebendo aproximadamente 13 metros cúbicos de óleo, 1460 metros cúbicos de gás e 64 metros cúbicos de água, expressos nas condições básicas de pressão e temperatura. Esses resultados foram obtidos por simulação matemática realizada pela ANP, considerando uma abertura da válvula de admissão de 24 % em área para que o tanque atingisse a pressão supracitada em 67 min após o funcionamento da bomba do tanque de bombordo, conforme pode ser visto no Anexo 5.

Por volta de 0h 22 min do dia 15 de março de 2001, ao atingir a pressão de cerca de 10 bar, relatada por equipe técnica da Petrobras como sendo sua pressão de ruptura, o tanque se rompeu, liberando água, óleo e gás para o interior da coluna. Não foi considerado na simulação o aumento do volume interno do tanque decorrente da deformação mecânica antes do rompimento.

As características desse evento têm correspondência com os depoimentos do pessoal de bordo que relatou ter ouvido um baque surdo e intenso vindo do lado de popa boreste da plataforma.

O colapso da estrutura do tanque provocou a transferência dos fluidos do seu interior para o compartimento do quarto nível, além do rompimento da tubulação de 18 polegadas de água salgada que passava junto ao mesmo, dando início ao alagamento da coluna. Como conseqüência o anel de incêndio foi despressurizado, levando à parada automática (shut down) da planta de processo. Houve também rompimento de linhas de suspiro atmosférico de tanques localizados abaixo do terceiro nível da coluna.

O gás liberado do tanque atingiu a área interna do convés do tank top e do convés principal através do sistema de ventilação da coluna e das linhas rompidas dos suspiros dos tanques localizados abaixo do quarto nível, ativando os sensores de gás. A liberação de gás foi confirmada instantes após a "primeira explosão" pela detecção de gás em duas tomadas de ar de ventilação, uma para a coluna de popa boreste e outra para a área interna do convés do tank top e em outros sensores localizados no convés principal.

As áreas da plataforma que foram ocupadas pelo gás liberado do tanque de drenagem de emergência encontram-se representadas no Anexo 6 e no Anexo 7.

Como as áreas do terceiro e quarto nível não foram classificadas como zona de risco, conforme demonstrado nos desenhos de engenharia DE-3010.38-5400-947-AMK-120 Rev B e DE-3010.38-1200-200-AMK-008 Rev F, o gás liberado após o rompimento não foi imediatamente detectado no compartimento do tanque. Pela mesma razão, os hidrocarbonetos não foram contidos nessa área por não haver dispositivos adequados de contenção e equipamentos à prova de explosão.

Identificação de não conformidades

A análise efetuada conduziu à identificação da seguinte não conformidade quanto a procedimentos de projeto:
  • inadequação da classificação da área em torno do tanque de drenagem de emergência.


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