3.3 - Operação de esgotamento do tanque de drenagem de emergência de popa bombordo
Análise
A operação de esgotamento do tanque de bombordo teve início às 22 h 21 min do dia 14 de março de 2001, consistindo da seguinte seqüência de ações:
- verificação do fechamento da válvula de admissão do tanque de boreste;
- abertura da válvula na linha do manifolde de produção para alinhamento do tanque de bombordo com este equipamento; e
- acionamento da bomba de esgotamento do tanque de bombordo.
Houve dificuldades operacionais para dar partida na bomba de esgotamento, o que só veio a ocorrer 54 min após o início da operação. Durante esse período ocorreu fluxo reverso de hidrocarbonetos para as linhas de escoamento dos tanques de drenagem de emergência.
A válvula de admissão do tanque de boreste permitiu a passagem de fluidos para seu interior, presumivelmente por estar parcialmente aberta ou ter sido danificada. Em conseqüência, como o tanque tinha seu suspiro bloqueado, conforme descrito anteriormente, houve a pressurização contínua do mesmo decorrente da entrada de óleo e gás proveniente do manifolde de produção.
Após 54 min ocorreu a partida da bomba, diminuindo sensivelmente o fluxo reverso de hidrocarbonetos, porém não interrompendo a pressurização do tanque de boreste porque a água bombeada se dirigiu para este equipamento.
O bombeamento de água ocorreu durante 67 min.
A ilustração desse cenário pode ser observada no Anexo 4.b.
Cabe salientar que essa transferência de carga foi suficiente para provocar o início do adernamento da plataforma.
Identificação de não conformidades
A operação acima relatada caracterizou-se como uma não conformidade crítica relativa a procedimentos regulamentares de operação e processo, constituindo-se em causa determinante do acidente.
Embora a configuração hidráulica do sistema de escoamento dos tanques de drenagem de emergência permitisse que seu conteúdo fosse bombeado para a planta de processo através do manifolde de produção, o procedimento regulamentar de esgotamento de água prescrevia que a operação fosse feita através do caisson de produção com o descarte subseqüente da água no mar. A opção de retirar a água do tanque via manifolde de produção contrariou requisitos operacionais prescritos no Manual de Operações da Planta de Processo da Plataforma (ET 3010.38-1200-941-AMK-924).
Foram também identificadas as seguintes não conformidades quanto a procedimentos regulamentares de operação e manutenção:
- operação realizada sem a supervisão do Coordenador da Plataforma ou do Supervisor de Produção (não foi possível constatar se a válvula na linha do manifolde de produção, que, conforme depoimentos, exigia senha para sua abertura controlada, fora aberta com autorização do Coordenador da Plataforma);
- falha mecânica ou fechamento incompleto da válvula de admissão do tanque de boreste.
Embora não possa ser caracterizada como uma não conformidade, a seguinte deficiência de projeto foi constatada:
- vulnerabilidade do esquema de ligação dos tanques de drenagem de emergência com o manifolde de produção por não apresentar nenhuma proteção adicional ou redundância no caso de falha simples de uma das válvulas de admissão dos tanques.
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