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Publicações ANP » Relatório Anual 2001
O Petróleo na Economia Brasileira

A participação do setor de petróleo no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil tem aumentado de forma significativanos últimos quatro anos. De acordo com estimativa feita pela própria ANP, essa participação aumentou de 2,7% em 1997 para 5,4% em 2000,0 sem considerar os impostos e os subsídios sobre produtos. Esta contribuição é maior do que a de outros segmentos incluídos entre os mais dinâmicos da indústria e da economia brasileira como um todo. Em valores, a contribuição do petróleo, que era de R$ 21,4 bilhões em 1997, ano da abertuda do mercado brasileiro no setor, saltou para R$ 52,6 bilhões em 2000.

A produção nacional do petróleo, sem a inclusão de Líquidos de Gás Natural (LGN), atingiu o volume de 473,1 milhões de barris em 2001, com uma média de 1,3 milhão de barris diários, dos quais 83,4% extraídos de poços perfurados no mar. O crescimento da produção foi de 4,7%, sobre o ano anterior, sendo que, no mar, o aumento correspondeu a 5,54%. O Estado do Rio de Janeiro manteve a posição de liderança, com 80,4% do total do petróleo produzido no país, seguido pelo Rio Grande do Norte, com 6,3%. Amazonas, Bahia e Sergipe participaram, cada um, com aproximadamente 3% na produção nacional.

Já a produção nacional de gás natural atingiu um volume médio diário de 38,5 milhões de metros cúbicos, dos quais 58,2% extraídos no mar. O aumento da produção foi de 5,74% sobre o ano anterior. Diferentemente do que ocorreu com o petróleo, o maior crescimento, de 11,3% ocorreu nos campos de terra. O Estado do Rio de Janeiro também foi o principal produtor de gás natural, com 42,5% do total, seguido pelo Amazonas, com 17,3%, da Bahia, com 14%, e do Rio Grande do Norte, com 8,5%.

O Brasil importou 152,8 milhões de barris de petróleo em 2001, o que significa um crescimento de 5,1% sobre o volume importado em 2000. Desse total, 56,1% foram provenientes de países da África, 23,1%, das Américas Central e do Sul e 18,1% do Oriente Médio. A importação de derivados de petróleo cresceu apenas 0,3%, atingindo o volume de 18,3 milhões de metros cúbicos (280,5 mil bep/dia). Óleo diesel, GLP e nafta responderam por mais de 75% dessas importações. Além disso, foram importados, em média, 12,6 milhões de metros cúbicos/dia de gás natural, provenientes, principalmente, da Bolívia. A produção nacional de derivados de petróleo, por sua vez, aumentou 4,8%, alcançando o volume de 100,8 milhões de metros cúbicos, dos quais 33,6 milhões de metros cúbicos de óleo diesel (202 milhões de bep) e 20,0 milhões de metros cúbicos de gasolina. A (100,2 milhões de bep). A região Sudeste respondeu por 44,7% das vendas de óleo diesel, e a sul, em segundo lugar, participou com 20,4%.

A indústria do petróleo desempenhou importante papel para que a economia brasileira conseguisse apresentar um crescimento satisfatório em 2001, com um aumento de 1,51% do Produto Interno Bruto, dentro de um contexto nacional e internacional extremamente difícil.

O ano começou com a economia se expandindo em ritmo de mais de 4%, mas o agravamento da crise financeira da Argentina, principal parceiro do Brasil no Mercosul, levou o Banco Central a interromper a trajetória de quedas dos jurospara defender o mercado brasileiro de possíveis impactos negativosda situação da naçaõ vizinha. Ainda assim, a iniciativa do Banco Central não foi suficiente para evitar que os agentes econômicos no Brasil buscassem proteção contra as oscilações no câmbio. O mercado financeiro se mostrou nervoso durante vários meses levando o Banco Centrala elevar as taxas de juros para 19% ano ano, além de promover intervenções diárias no câmbio, com a venda programada de U$$ 5 milhões de de suas treservas por dia útil.

No cenário nacional, a economia também sofreu forte impacto com o racionamento de energia elétrica, resultado de condições hidrológicas muito desfavoráveis, que deixaram o nível dos reservatórios das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste em posição crítica - os índices pluviométricos, de janeiro a maio foram os piores dos últimos 70 anos.

O racionamento induzido evitou que os consumidores brasileiros fossem submetidos a apagões, que certamente, causariam mais sacrifício às empresas e à população. Paralelamente ao racionamento, as autoridades governamentais passaram a estudar soluções para remover obstáculos aos investimentos no setor de energia elétrica, entre os quais, entraves para a maior geração a partir de usinas térmicas movidas a gás natural. Algumas usinas foram inauguradas, outras tiveram sua capacidade de geração expandida e está em andamento um grande programa de construção de novas centrais térmicas. Desse modo, o gás natural aumentará progressivamente a sua participaçaõ na matriz energética brasileira. A estimativa do governo é de que até o fim da década, as usinas térmicas respondam por 11% de toda a capacidade de geração de eletricidade, o que tornará o Brasil menos vulnerável a condições hidrológicas adversas.

A economia mundial já vinha sentindo os reflexos da desaceleração das atividades econômicas nos Estados Unidos, quando ocorreram os atentados de 11 de setembro. Semanas depois, os Estados Unidos iniciaram ataques militares, aopiados por países aliados, contra o regime talibã no Afeganistão. O clima de guerra fez com que os preços internacionais do petróleo subissem, mas os principais produtores ajustaram rapidamente a oferta, e o mercado logo voltou ao equilíbrio. Todo esse cenário reforcou a convicção de que o Brasil optou pelo caminho certo ao abrir o mercado de petróleo para novos investimentos. Em 2001, não houve interrupção dos investimentos em andamento no setor, e isso contribuiu para que a economia brasileira não tivesse um desempenho negativo no ano.

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