Apresentação
Assistimos hoje a um grande esforço
do Governo Federal para a capacitação do IBAMA e para o aprimoramento dos processos de planejamento dos diversos setores
ligados ao desenvolvimento econômico do país. O “Passo
a Passo” do licenciamento – já disponível
no sítio do IBAMA na Internet desde 2003 – e o presente Guia
para o Licenciamento Ambiental das Atividades de Exploração
de Petróleo – Sísmica e Perfuração,
produzido para a Sétima Rodada de Licitações
da Agência
Nacional do Petróleo, são resultados deste duplo esforço.
Os guias de licenciamento ambiental
produzidos pelo IBAMA buscam trazer as questões ambientais (legais
e técnicas) para a fase de planejamento das atividades do setor
de petróleo & gás e, ao mesmo tempo, antecipar informações
sobre as futuras exigências do processo de licenciamento ambiental
dos projetos de exploração e produção. Desta
forma, amplia-se a proteção ambiental e se reduz a incerteza
para os potenciais investidores. Ressalta-se que a análise apresentada
pelo IBAMA nos Guias de Licenciamento apenas classifica as áreas
quanto a sensibilidade ambiental visando nortear o investidor no que diz
respeito às dificuldades do licenciamento e conseqüentes investimentos
dela decorrentes. Para oferecer garantias de que os setores sejam licenciáveis,
seria necessária a utilização de instrumentos de
análise adequados, como a Avaliação Ambiental Estratégica.
Uma análise preliminar como a dos Guias de Licenciamento, não
substitui a necessidade de estudo prévio de impacto ambiental estabelecida
pelo Artigo 225 da Constituição. Não oferecendo a
mesma garantia de uma Licença Prévia, entende-se que é
melhor deixar de oferecer blocos em certas áreas de extrema sensibilidade
ambiental, evitando a aquisição de setores dificilmente
licenciáveis. Desonera-se assim o poder executivo de futuros embates,
caso o Estudo Ambiental da área venha demonstrar a inviabilidade
do empreendimento em setores que constem dos guias.
A história da produção dos guias e da própria
atividade de licenciamento ambiental do setor de petróleo &
gás no país é muito recente. A área de licenciamento
ambiental do IBAMA vinha operando, até o ano de 2002, com enormes
carências de pessoal técnico. Além disto, a integração
entre as diversas áreas relacionadas ao tema dentro da instituição
era também frágil. O Guia da Sétima Rodada marca
avanços fundamentais no trabalho integrado entre as diversas Diretorias
do IBAMA. Estes guias devem continuar evoluindo através do trabalho
integrado no âmbito do próprio IBAMA, da realização
de novo concurso público para ampliação dos quadros
técnicos do licenciamento ambiental, da maior articulação
com as instituições ligadas ao setor de petróleo
& gás e do acesso on-line às informações
relativas aos processos de licenciamento ambiental em tramitação
no Instituto.
O guia desta 7ª Rodada apresenta
as diretrizes técnicas para os futuros processos de licenciamento
ambiental para as diferentes bacias sedimentares brasileiras. Elas são
fruto da experiência de aplicação do licenciamento
ambiental no país, do conhecimento e práticas internacionais
e da produção de conhecimento sobre os ambientes costeiros
e marinhos no país. Os impactos e interferências das atividades
da indústria de petróleo e gás não são
somente relativos ao ambiente natural, devem ser compatibilizadas também,
por exemplo, com as importantes atividades de pesca e turismo.
As informações disponíveis
sobre as áreas costeiras e marinhas brasileiras são ainda
incipientes e é preciso investir na produção de conhecimento.
No que se refere às atividades de exploração e produção
(E&P) de petróleo na costa brasileira, a carência de
informações sobre os recursos ambientais e atividades humanas
gera implicações diretas nos processos de licenciamento
ambiental, mais especificamente, no que concerne à qualidade dos
Estudos Ambientais e aos prazos de licenciamento.
O documento base para a produção
dos guias de licenciamento é intitulado “Avaliação
e Ações Prioritárias para a Conservação
da Biodiversidade das Zonas Costeira e Marinha” (MMA, 2002), que
foi gerado com base em Workshop organizado pelo Ministério do Meio
Ambiente - MMA em 1999, ocasião em que cento e oitenta pesquisadores
das mais diversas áreas de instituições governamentais,
não-governamentais, e comunidade científica brasileira compuseram
um quadro sintético do estado da arte do tema no Brasil.
Com base nas informações disponíveis, a Diretoria
de Licenciamento e Qualidade Ambiental do IBAMA através do Escritório
de Licenciamento das Atividades de Petróleo – IBAMA/DILIQ/CGLIC/ELPN
buscou reunir em base cartográfica, hoje em maior detalhe, as informações
do “Guia para o Licenciamento Ambiental das Atividades de Exploração
- Sísmica e Perfuração - de Petróleo”.
Foram realizados levantamentos sistemáticos dos fenômenos
naturais e dos recursos biológicos das regiões costeiras
e marinhas do Brasil e das atividades socioeconômicas e pesqueiras
que apresentam maior suscetibilidade aos impactos da perfuração
dentre as atividades de exploração e produção
(E&P) de petróleo.
A realização do Guia
da Sétima Rodada da ANP envolveu o esforço de cinco diretorias
do IBAMA: Diretoria de Gestão Estratégica (DIGET, através
do Centro Nacional de Desenvolvimento e Populações Tradicionais
– CNPT), Diretoria de Fauna e Recursos Pesqueiros (DIFAP, através
do Centro TAMAR, Centro Mamíferos Aquáticos - CMA, Centro
de Pesquisa e Extensão Pesqueira do Norte – CEPNOR, Centro
de Pesquisa e Extensão Pesqueira do Nordeste – CEPENE, Centro
de Pesquisa e Extensão Pesqueira do Sul – CEPSUL), Diretoria
de Ecossistemas (DIREC, responsável pelas Unidades de Conservação
Federais), Diretoria de Proteção Ambiental (DIPRO, através
do Centro de Sensoriamento Remoto, CSR), e da Diretoria de Licenciamento
e Qualidade Ambiental (DILIQ). O trabalho contou ainda com a colaboração
do Instituto Baleia Jubarte e do Projeto Recifes Costeiros.
Por fim, gostaríamos de agradecer
o apoio e a colaboração prestados pelo Ministério
das Minas e Energia através da Secretaria de Petróleo, Gás
Natural e Combustíveis Renováveis e da Agência Nacional
do Petróleo.